Cidadania

A Professora Adalgisa Castro, especialista em Cidadania e Política, tem aqui alguns artigos publicados
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com a Professora ADALGISA CASTRO
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o CURRICULUM
VITAE DA PROFESSORA ADALGISA CASTRO PEREIRA, que está no final desta página.
Sua
opinião é muito importante para desenvolvermos
ainda mais este trabalho.
Participe!
ENQUETE
1.
O QUE VOCÊ ENTENDE POR CIVISMO E PATRIOTISMO?
2. O QUE É O ESTADO POLÍTICO?
3. O QUE VOCÊ ENTENDE POR POLÍTICA?
4. O QUE É E ONDE SE INSERE A EDUCAÇÃO CÍVICA?
5. O QUE VOCÊ ENTENDE POR PARTIDOS POLÍTICOS?
6. O QUE É OPINIÃO PÚBLICA/
7. QUAIS OS PRIMEIROS RESPONSÁVEIS PELA FORMAÇÃO
DA OPINIÃO PÚBLICA?
8. O QUE É ESSENCIAL PARA A EXISTÊNCIA DE UM REGIME DEMOCRÁTICO?
9. QUAL A SUA OPINIÃO SOBRE A POLÍTICA NO BRASIL?
10. O QUE É A SOCIEDADE CIVIL E QUAL A SUA RESPONSABILIDADE
EM UM REGIME DEMOCRÁTICO.
..........................
POLÍTICA
O ESTADO NACIONAL:
CARACTERÍSTICAS HISTÓRICAS
E ESPECIFICIDADE BRASILEIRA
I
–INTRODUÇÃO
No
desenrolar da História, não há como falarmos
do contemporâneo, sem buscarmos as causas mais remotas
na antiguidade. Tudo é seqüência e conseqüência.
Ao observarmos a gravíssima situação, política/econômica/social
do mundo e, em especial, a do Brasil, reconhecemos, de imediato,
a necessidade de nos aprofundarmos nessa questão. Necessária
se faz uma rápida retrospectiva histórica.
Quando falamos em POLÍTICA, é imprescindível
esclarecermos a que conceito e definição desejamos
nos referir. Este termo possui uma ampla abrangência quanto
ao seu significado (conceitos e definições –
texto em anexo)...
Em primeiro lugar, vamos buscar a origem lingüística
do termo. Ele vem da Grécia Antiga, séc.V e IV
aC., época das famosas Escolas gregas, de inesquecíveis
filósofos. Vem do grego - politikós, com referência
às cidades gregas - as polis – e a forma de administração
das mesmas.
Assim, encontramos em Platão, A República, onde
expõe sua visão da cidade ideal, de acordo com
os termos - república e democracia, um posicionamento
incompatível em uma época de classes sociais rígidas,
de imperadores, militares, senadores e sacerdotes em contraposição
a servos e escravos; e em Aristóteles, A Política,
dirigida mais às questões da Ética, da
Crítica, da Lógica e da Matemática..Dessa
época têm origem tais termos – República
(do latim - res publica) coisa pública e Democracia (do
grego - demo – povo / cracia – governo), portanto,
governo do povo.
No decorrer do desenvolvimento histórico político/econômico
do planeta constatamos, desde a mais remota antiguidade, na
Idade da Pedra, as famílias, depois as tribos, nômades
e, na seqüência, após se fixarem pela agricultura,
as vilas, vilarejos, as cidades – esboçando-se
já aí, o embrião do conceito de direito
de propriedade - e, posteriormente, nações, países,
sempre sob o mando de um chefe - o pai ou o mais velho –
faraós, marajás, caciques, reis, imperadores,
monarcas, presidentes, ditadores, na área da administração,
quase sempre aliando o poder temporal ao secular, até
divino. No regime de patriarcado, no antigo Império Romano,
o pai era o educador, magistrado, sacerdote e administrador.
O objetivo da Educação era formar o cidadão
romano.
Paralelamente, sempre ocorreu a busca do domínio sobre
uma característica essencial da natureza humana –
a religiosidade (na verdade, medo do desconhecido) – sacerdotes,
gurus, pajés, pastores, padres etc., contando, também,
a área eclesiástica com uma férrea hierarquia.
Na verdade, a história da humanidade sempre nos mostra
a luta pelo poder, quer econômico, quer político
ou religioso, isto é, o domínio dos mais fortes
sobre os mais fracos, dos mais inteligentes ou espertos sobre
os mais inocentes e despreparados, dos mais ricos sobre os mais
pobres, propiciando o aparecimento das hierarquias, das classes
sociais, da proliferação das seitas, credos e
igrejas, bem como, das diferentes doutrinas políticas,
enfim,.de todos os tipos de dominação, de preconceitos
e discriminações, concretizando o domínio
– realeza/burguesia sobre servos /escravos..
II
– EVOLUÇÃO DO PENSAMENTO FILOSÓFICO
Sócrates,
Platão e Aristóteles, na época áurea
da cultura grega, são um marco no pensamento filosófico
da humanidade, isto é, a origem da Política e
suas doutrinas, como ciência da gestão das cidades.
Se bem que, antes, encontramos o Código de Manu, o Código
de Hamurabi, a Lei Romana das XII Tábuas, todos de certa
forma bárbaros e dirigidos às questões
da família. Da Lei Romana derivou o Direito Romano, atual
e utilizado no ensino superior das Faculdades de Direito.
A partir de então, inúmeros pensadores se dedicaram
a esse tema com diferentes abordagens e sempre, naturalmente,
de acordo com a moral e os costumes de cada época. Porém,
finda a Idade Média, no Renascimento é que começam
os posicionamentos bastante diferenciados; tanto no aspecto
político quanto no religioso. Quanto ao econômico,
é fácil constatar-se a dificuldade de mudanças.
Os séc. XV e XVI dC. nos trazem a época das grandes
navegações, em que Inglaterra, França,
Portugal e Espanha, com o domínio dos mares, partiram
em busca de novas terras, de especiarias e riquezas no Oriente,
o que veio a propiciar as descobertas da América, do
Brasil, do caminho marítimo para as Ìndias. É
daí o marco do Mercantilismo – o livre comércio
visando ao lucro que, posteriormente, se concretizou na Teoria
Econômica de Adam Smith e embasou a doutrina política
do Liberalismo - séc. XIX, contando com o axioma –
os fins justificam os meios – que, pela interpretação
que lhe foi dada, deu origem a esse “capitalismo selvagem”
com que nos defrontamos.
Porém, são três fatos históricos
marcantes que impuseram uma nova mentalidade no reconhecimento
de todas as classes sociais.
a) a Revolução Francesa (1789),
b) a Revolução Comercial (evolução
do mercantilismo),
c) a Revolução Industrial.(séc XIX) –
originando-se o movimento sindicalista..
Finda a Idade Média (feudalismo) e com a Revolução
Francesa é que aparecem teorias filosóficas preocupadas
com o social, com o poder e com o bem-comum. Por exemplo: A
Utopia de Thomas More, O Contrato Social de Rousseau, O Príncipe
de Maquiavel, O Capital de Karl Marx e, mais recentes, Eros
e Civilização de Marcuse, Meu Encontro com Marx
e Freud de Erich Fromm, Roteiro Cósmico de Huberto Rohden
e, voltados para a educação, Para Onde Vai a Educação?
de Jean Piaget, Educação para quem? de Milton
Schwebel, Educação Integral de Huberto Rohden
e muitos outros.
III
- O SÉCULO XX
Já
no séc. XV, nos esboços de Leonardo da Vinci e
concretamente a partir do séc. XIX, percebe-se claramente
a multiplicidade de invenções e descobertas em
todas as áreas do conhecimento humano, isto é,
nas ciências - humanas, matemáticas, biomédicas,
na tecnologia e informática (a mais recente). Homem e
Natureza, cada vez mais, são fragmentados nas diversas
especialidades, principalmente na medicina..
Um ponto importante em todo o processo de desenvolvimento da
humanidade é o indiscutível reconhecimento da
finitude, da relatividade do ser e do mundo – um Mundo
Finito em um Universo Infinito. Um questionamento antigo e permanente
sobre sua origem, seu destino, sobre o Universo, sobre a Vida
e a Morte. É também clara a ambivalência
do Uni/verso (a unidade na diversidade), a dicotomia do mundo
maniqueista em que vivemos, onde para cada tese há uma
antítese, na busca da síntese, do equilíbrio
– uma permanente dialética - objetivo até
então bem distanciado, imposta principalmente ao Ser
Humano – in/divíduo (não divisível)
que, pela religião, ficou marcado pela meação
– corpo e alma.
Com o progresso indiscutível da ciência e da tecnologia,
mais e mais foram se acentuando no ser humano as características
negativas da vaidade, do egoísmo, da ganância,
da tirania, do autoritarismo, da arrogância, da presunção,
da soberba, da inveja, em excelente abordagem por Myra y Lopes
em “Os Quatro Gigantes da Alma”, trazendo assim
as diferenças quanto aos direitos à liberdade,
à igualdade, à justiça e à fraternidade
– decantadas na revolução francesa, na Marselhesa
– hino símbolo da França, enquanto seres
humanos e, em decorrência, quanto ao poder. Também,
comprovadamente, descartados, logo depois, pelos próprios
revolucionários.
Assim, o Séc. XX se inicia com duas linhas mestras, identificando
duas doutrinas políticas: Liberalismo x Socialismo. Elas
se diferenciam em pontos essenciais tais como: direito de propriedade,
bens de produção, livre comércio. O Liberalismo
deu origem ao Capitalismo Selvagem, onde há o predomínio
do livre comércio voltado para o lucro e a mínima
intervenção estatal, enquanto no Socialismo, transmutado
em Comunismo, é dirigido ao social.com o predomínio
do Estado.
Na verdade, por uma análise isenta e neutra, constata-se
que, tanto liberais quanto socialistas, no que diz respeito
ao poder, desenvolvem formas claras ou maquiadas de ditaduras
– quer pelo poder enquanto tal, quer pelo econômico,
pelo armamentista ou, por outra vertente, pelo religioso. Na
verdade, o que fala mais alto é a natureza humana, egocêntrica
e ambiciosa.
Certamente podemos aceitar a divisão da História
da Humanidade em três fases, de acordo com Augusto Comte
(Teoria do Positivismo): a 1ª , a Teológica, em
que os indivíduos eram dominados pelo temor ao desconhecido,
pelos deuses, favorecendo o domínio das crenças,
em que o poder era de direito divino; a 2ª, a das Revoluções,
principalmente com a prevalência do pensamento crítico
e especulativo; e finalmente a Contemporânea, com o predomínio
do pensamento racional, empírico, pragmatista, privilegiando
a lógica matemática, em detrimento das teorias
humanistas, personalistas e metafísicas, originando o
pensamento materialista, passando a dirigir toda a ação
política, econômica e social, levando a sociedade
a cultuar o poder econômico, o aquisitivo e o consumismo,
em detrimento dos valores morais, éticos e espirituais
inerentes à natureza humana. Total inversão de
valores – o Ter, substituindo o Ser – o mundo das
aparências. O valor do indivíduo é medido
pelo que tem e não pelo que é.
Um aspecto fundamental quanto à política é
a questão da formação da opinião
pública. De acordo com Darcy Azambuja em sua Teoria Geral
do Estado, cabe aos Partidos Políticos, em primeiro lugar,
tal formação, seguidos pelos Meios de Comunicação.
É, indubitavelmente, uma força social e revela
a consciência da Nação. Daí a importância
quanto à forma de sua utilização para o
bem ou para o mal. A partir dos princípios éticos
e morais ou pela distorção ou ausência dos
mesmos.
IV
– POLÍTICA INTERNACIONAL
O
momento atual em que vivemos, início do terceiro milênio,
nos mostra, concretamente, o resultado de todo o desenrolar
dessa História da Humanidade.
No decorrer do séc. XX, tal como em um tabuleiro de xadrez,
foram se identificando reis, rainhas, bispos, torres, cavalos
e peões.
Por um processo inteligente e perverso, os Estados Unidos da
América do Norte vêm buscando, ininterruptamente,
o anteriormente citado domínio do planeta, com a adesão
de outros países que deram origem ao G-7 – grupo
das maiores potências econômicas.
A partir da II Guerra Mundial, iniciou o processo dos conglomerados,
visando à hegemonia sobre os países subdesenvolvidos,
chegando à atual fase da globalização e,
no que diz respeito às Américas, à ALCA.
Trabalhou para tornar o dólar a moeda internacional e
conseguiu o domínio das Bolsas de Valores, sob o comando
da Dow Jones – NY e Nasdaq – tecnologia e informática.
Paralelamente, desenvolveu o poder armamentista, setor importantíssimo
para a sua economia e, de acordo com o axioma da Teoria Econômica
de Adam Smith – os fins justificam os meios - sem se importar
com princípios éticos e morais, incentivando guerras,
revoluções e similares, em busca de clientela
para dar vasão a essa cada vez mais sofisticada, importante
e nefasta produção.
Além do Pentágono, conta com dois importantes
e estratégicos Serviços de Informação:
o FBI para as ações mais claras e a CIA, com estratégias
e táticas voltadas para a espionagem e infiltrações
com objetivos e ações muito pouco recomendáveis.
No momento estamos assistindo a mais um ato desse épico
americano – mais uma guerra no Golfo. Na década
de oitenta, os americanos se aliaram ao Iraque contra o Irã;
em seguida o pai do atual Presidente, sempre em nome da democracia,
da liberdade, da justiça, desencadeou a guerra contra
o próprio Iraque, graças à invasão
do Kuwait; sempre se apresentando como o guardião da
justiça, da liberdade e da democracia. Foram fornecidas
armas, tanto pelos americanos quanto por outros membros do G-7,
inclusive as aterrorizantes armas químicas e biológicas.
Agora, mais uma vez, um ex-aliado tornou-se o inimigo terrorista
perigoso (assim como Osama Bin Laden, que foi treinado pelos
americanos e usado enquanto útil) e, sem o mínimo
respeito à opinião do mundo inteiro e, principalmente,
demonstrando claramente seu desprezo pelas decisões da
ONU, dá início à sua guerra no Golfo.
Interessante é que, pai e filho, os Bush, são
texanos, homens do petróleo e o Oriente Médio
detém a maior reserva de petróleo do mundo!
Um aspecto importante a ser criteriosamente identificado é:
qual será a seqüência a essas intervenções
na Eurásia (Oriente Médio). Uma vez atingidos
os objetivos do controle da supracitada maior reserva de petróleo
do mundo, qual será o próximo objetivo?
V
– POLÍTICA NACIONAL
1.
CARACTERÍSTICAS HISTÓRICAS
O
Brasil, a Nação Brasileira, a nossa Pátria,
o nosso País Continente detém o 5º lugar
do mundo em extensão territorial – 8.547.403,5
km2, com uma população (3º lugar) de 175.000.000
de habitantes (IBGE). Em comparação com a grande
maioria dos demais países do mundo, é privilegiado
em clima, fauna, flora riquezas de subsolo, solo, com um litoral
também muito rico na área pesqueira, em corais
e em reservas de petróleo. Por outro lado, até
então, por suas características geológicas,
não sofre os prejuízos com origem nas catástrofes
que atormentam um grande número de outros Países,
os fenômenos da natureza, tais como: erupções
vulcânicas, terremotos, maremotos, vendavais, tornados
etc.
Nesse momento de grande preocupação mundial quanto
à produção de energia e quanto às
reservas de água potável, é necessário
atentar-se para a maior bacia hidrográfica do planeta
– nossa Amazônia, não se podendo esquecer
das demais riquezas naturais, que são focos permanentes
da ambição internacional.
Além disso, detém o 11º lugar na economia
mundial.
Diante desta descrição é necessário
perguntar-se:: por que o Brasil não se encontra no G-7
e até mesmo em lugar mais privilegiado do que os USA?
Ambos nasceram na mesma época, porém, em princípio,
as colonizações – Portugal / Reino Unido
– é que propiciaram a enorme diferença.
Enquanto para os ingleses as colônias seriam extensão
da matriz, para Portugal, eram apenas fornecedoras das riquezas.
Na verdade, a rapina. Por justiça devemos reconhecer
a vantagem dos Estados Unidos por seus dois litorais –o
do Atlântico e o do Pacífico.
Apesar das transformações posteriores em Reino
Unido e mesmo a farsa da Independência, somente com a
República pode-se considerar a real independência
do Brasil. Portanto, nossa história de independência
conta com apenas um século.
Focalizemos, portanto, o período republicano.
1.1. PERÍODO REPUBLICANO
A
assinatura da Lei Áurea pela Princesa Isabel em 13/05/1888
foi o derradeiro ato do Império, na tentativa de sustar
o movimento nacionalista em direção à República.
Várias facções se defrontavam com o mesmo
objetivo. Legítimos nacionalistas, abolicionistas, monarquistas
conservadores, liberais e militares, todos desejavam assumir
o poder. E, afinal, a República foi proclamada pelo Marechal
Deodoro da Fonseca, em 15/11/1889, tendo assumido a presidência,
sendo seguido por outros militares, tanto na presidência
quanto em altos cargos da república que nascia.
A primeira Constituição da República dos
Estados Unidos do Brasil foi promulgada pela Constituinte em
24/02/1891.
A seqüência de governos que se seguiram é
denominada República Velha, a república do café
com leite, dos grandes latifúndios de Minas Gerais e
São Paulo e vai até a Revolução
de 1930. Com um período de revoltas, revoluções
e contra-revoluções, em 03/11/30 investiu-se como
Presidente, Getúlio Vargas (que foi Ministro da Fazenda
do governo Washington Luiz), como delegado da Revolução,
em nome do Exército, da Marinha e do Povo.
Face à Revolução Paulista de 1932, foi
decretado, a 23/02/1932, o Código Eleitoral, que firmava
o voto secreto pela justiça, pela proporcionalidade –
base da organização partidária, sem esquecer
o voto feminino. Foi,também, criada uma comissão
para redigir nova Constituição, promulgada em
16/07/1934 e anunciou eleições para 03/05/1933
– o que nunca aconteceu.
Nesse período houve a Revolução Constitucionalista
de 1932, a Intentona Comunista de 1935 e a atuação
e apoio do Movimento Integralista de 1937, (descartados em 1938)
com o Estado Novo.
Órfão de todo e qualquer apoio político,
para conter de vez a luta eleitoral, com as perspectivas de
nova revolução que dela se originava, voltou-se
para o populismo, para o trabalhismo e confiou a Francisco Campos
a missão de redigir nova Constituição,
de acordo com suas teorias de Estado Novo. Promulgada em 16/11/1937,
serviu ela de suporte à ditadura, formatada de acordo
com um complexo de pensamentos históricos e exóticos
que configuraram o “estadonovismo”.
Finda essa longa ditadura – 15 anos – com a deposição
de Getúlio Vargas, elegeu-se o General Eurico Gaspar
Dutra, ex-Ministro da Guerra de Getúlio, graças
a um subterfúgio eleitoral armado contra o Brigadeiro
Eduardo Gomes, representante das elites liberais de direita.
Esse governo serviu apenas para promulgar mais uma Constituição
da República dos Estados Unidos do Brasil, em 1946 (à
qual se seguiram numerosas Emendas Constitucionais, um Ato Adicional
e vários Atos Institucionais e Atos Complementares) e
para preparar o retorno de Getúlio Vargas em 1950.
Durante o período desse governo de Getúlio Vargas,
houve um ataque permanente de membros dos Partidos de direita
(UDN, PSD e outros), porém o porta-voz dos mesmos foi
o jornalista Carlos Lacerda, apoiado pelo jornal Tribuna da
Imprensa (Helio Fernandes) e o Clube da Lanterna. Tal procedimento
teve sua culminância no incidente contra o jornalista.
Em 1954, acompanhado do amigo Major Rubens Vaz, da Aeronáutica,
sofreu um atentado. Lacerda ficou levemente ferido, porém
o major morreu. Com isso, em 24/08/54, foram todos surpreendidos
com o suicídio de Getúlio Vargas.
A partir daí veio a seqüência JK, JQ e JG.
Juscelino Kubitschek de Oliveira, mineiro de Diamantina, assumiu
a presidência com a promessa dos 50 anos em 5. A marca
de seu governo foi a construção de Brasília,
a nova capital. Duas principais justificativas foram apresentadas
para a centralização da mesma: 1) segurança
nacional – afastar do litoral para ficar menos vulnerável
a ataques de eventuais inimigos; 2) facilitar o desenvolvimento
global do País, encurtando as distâncias, visando,
principalmente às regiões norte, centro-oeste
e nordeste.
Foi, então, iniciada a construção de uma
rede de rodovias (Transamazônica, Belém-Brasília
e outras) e, inexplicavelmente, foi preterida a construção
da rede ferroviária (muito mais vantajosa, principalmente,
pela capacidade do retorno de custos e muito mais econômica
para os usuários).
Na verdade, o tempo veio a mostrar que as razões eram
improcedentes:
1º) a tecnologia moderna desenvolveu recursos bélicos
que independem das distâncias;
2º) o sistema viário esboçado continua em
péssimo estado, mormente os que se dirigem àquelas
regiões.
A massiça votação que elegeu Janio Quadros,
demonstrou claramente o repúdio de toda a população
ao governo que findara.
Janio Quadros logo descumpriu as promessas de campanha. Desvalorizou
o cruzeiro em 100%, retirou subsídios para as importações
com prejuízo para a indústria nacional, reduziu
créditos bancários, aumentou impostos e congelou
salários. Tais medidas trouxeram o aumento do custo de
vida, enquanto os salários se mantinham congelados. A
revolta era grande, o domínio econômico por parte
dos USA cada vez maior, ao mesmo tempo em que demonstrava simpatia
pelos países socialistas. Até que, meses depois
(1961), renunciou, justificando que – “forças
ocultas me obrigam a renunciar”.
Assumiu seu Vice, João Goulart, contrariando a vontade
das elites conservadoras e dos ministros militares. Para contornar
a situação o Congresso Nacional votou um parlamentarismo
de emergência(!). Com idéias voltadas para a esquerda,
querendo reformas profundas, principalmente a agrária,
a direita conservadora da UDN e do PSD, defensores dos latifundiários
e das elites econômicas estava bastante insatisfeita.
Com a crise política ocorrendo, os trabalhadores se organizavam
no CGG (Comando Geral de Greve) e greves se sucediam por todo
o País.
Assim, em 1964, as tropas de Minas e S. Paulo, respondendo positivamente
às elites de direita, tomaram o governo e depuseram João
Goulart, estendendo a ação contra as próprias
elites de direita.
Com vistas ao crescimento econômico, incentivaram a instalação
de empresas multinacionais e a retomada dos grandes empreendimentos
– a construção da Ponte Rio-Niterói,
a Estrada Transamazônica, a Belém-Brasília,
tudo isso à custa de fabulosos empréstimos estrangeiros
(USA – FMI). E para combater a inflação,
usaram, também, o arrocho salarial, aumentando ainda
mais o empobrecimento das classes trabalhadoras. Em 15 de março
de 1967 foi promulgada nova Constituição e, com
as modificações introduzidas pelo Ato Institucional
nº5 de 1968 e, em virtude da Emenda Constitucional nº1
de 17/10/1968, passou a intitular-se Constituição
da República Federativa do Brasil, com a intenção
de centralizar o poder.
Com a discordância entre os próprios militares,
aqueles que defendiam a maior repressão e o autoritarismo,
através de Atos Institucionais, foram, cada vez mais,
controlando e aumentando seu poder. Assim, em 1968, as áreas
consideradas de segurança nacional (muitos municípios)
tiveram seus prefeitos nomeados pelos governadores, os quais
eram eleitos pelas Assembléias Legislativas (eleições
indiretas). Os Partidos Políticos foram extintos, restando
a ARENA (Aliança Renovadora Nacional) para dar apoio
ao governo e o MDB (Movimento Democrático Brasileiro),
uma oposição controlada (!). Essa Constituição
democrática tornou o governo militar permanente (!).
Daí em diante a situação piorou. O Congresso
foi fechado, os poderes presidenciais ampliados pelo AI-5 e
os direitos dos cidadãos restringidos ao máximo.
Foram mais de 20 anos e, como toda ditadura, com o desrespeito
aos direitos dos cidadãos, entre eles o direito de defesa,
propiciou comportamentos absolutamente impróprios a uma
República democrática, bem como, favoreceu a proliferação
da corrupção, das fraudes e demais comportamentos
inadequados a qualquer tipo de governo. É necessário
reconhecer-se que não é a vocação
do militar a direção política de um país
democrático, até mesmo pela própria formação
profissional, com uma férrea disciplina hierárquica.
Findo esse longo tempo, coube ao último general-presidente
(ditador), João Figueiredo, a transição
para a legalidade.
Voltaram os civis de direita ao poder. Apesar dos discursos
pró-democracia, pró-social e muito mais, jamais
aqueles que assumiram o poder no Brasil se conscientizaram de
seu caráter representativo, cujos objetivos seriam o
bem-comum, o bem de toda a Nação e não
o protecionismo e o enriquecimento ilícito pessoal ou
de grupos e corporações. Comportamentos que, infelizmente,
até os dias de hoje não se modificaram.
A seqüência mostrou-se desastrosa. Tancredo Neves,
morto antes da posse, tendo assumido seu Vice, José Sarney,
latifundiário do Maranhão. Sempre como demonstração
da repulsa do povo, foi eleito Fernando Collor, das elites alagoanas,
que, para fugir ao “impeachment”, renunciou e foi
substituído por seu Vice, Itamar Franco, que conseguiu
levar o governo até as eleições de 1994,
para assumir o governo aquele que foi um de seus Ministros da
Fazenda, Fernando Henrique Cardoso. Sociólogo, com um
discurso de ex-cassado, ex-exilado, de esquerda, desenvolveu
um governo claramente neoliberalista, apesar das tentativas
de demonstrar o contrário. Infelizmente um governo em
que todas as denúncias de corrupção e fraude
foram ignoradas. Em que as privatizações foram
colocadas sob mais que suspeitas. Em que as articulações
para a re-eleição seguiram o mesmo caminho. Um
governo de 8 anos, claramente fisiologista, em que os meios
de comunicação levaram a público todo o
comportamento voltado para a permissividade e para a impunidade.
E, para finalizar, mais uma vez a demonstração
da repulsa popular, elege um fundador do Partido dos Trabalhadores.
Um metalúrgico de origem humilde que, nesse início
de governo vem demonstrando uma face surpreendente de equilíbrio,
bom-senso e competência.
Eis aí toda a história dos 100 anos de política
da República Democrática Brasileira.
Eis aí a resposta de – porque o Brasil, depois
de 500 anos ainda é um País em desenvolvimento
e não faz parte do G-7.
2.
ESPECIFICIDADE BRASILEIRA
Torna-se
claro que o Brasil, desde a colonização e tal
como o resto do mundo, foi sempre governado pelo poder econômico/financeiro.
Com referência ao período republicano, constata-se
um processo difícil e moroso de desenvolvimento, até
a construção e transferência da capital
para Brasília. Sem a infraestrutura necessária,
principalmente no que diz respeito ao acesso da sociedade, do
povo, ao poder central, passou a propiciar todo um comportamento
abusivo e inadequado a uma República Democrática.
Por outro lado, permaneceu com todas as características
de império.
O número de Constituições Republicanas
– seis ao todo - bem demonstram a incipiência de
todo o processo. Quanto à área político/partidária,
a multiplicidade de partidos excede em muito qualquer princípio
democrático. Por outro lado, apesar de todos obedecerem
às exigências legais para a instituição,
entretanto, constatam-se falhas lamentáveis quanto à
obediência aos princípios doutrinários e
programáticos de seus militantes, inclusive quanto à
formação política. O processo eleitoral,
a partir do preenchimento das legendas, peca pela não
importância dada quanto à competência, à
seriedade e até mesmo à honestidade dos candidatos
que se apresentam. Aliás, de modo geral e por motivos
outros que não o objetivo a que se destina, há
uma prévia seleção interna com vistas à
convenção partidária/eleitoral. Quanto
às eleições propriamente ditas, nem mesmo
a informatização conseguiu coibir as fraudes.
Por isso, a partir do Legislativo, seguindo-se o Executivo,
decorre um “efeito dominó” de incompetência,
improbidade e falta de seriedade, o que prejudica fundamentalmente
todos os princípios constitucionais.
O que se constata é que, há muito tempo, os três
poderes da Nação - Legislativo, Executivo e Judiciário
vêm apresentando comportamentos de seus mandatários
bastante inadequados, dir-se-ia mesmo, distorcidos e prejudiciais
ao desenvolvimento sustentável, desejável e necessário,
revertendo em profundo prejuízo para toda a Nação.
E, como um “efeito dominó”, vem contagiando
todos os poderes da Nação, extrapolando, atingindo
e envolvendo boa parte da população.
VI
– DA CONSTITUIÇÃO BRASILEIRA
Título
I – Dos Princípios Fundamentais
. Artº 1º - A República Federativa do Brasil...
...e tem como fundamentos: I – a soberania; II –
a cidadania; III – a dignidade da pessoa humana; IV –
os valores sociais do trabalho e da livre iniciativa; V –
o pluralismo político.
Parágrafo Único: Todo o poder emana do povo, que
o exerce por meio de representantes eleitos, ou diretamente,
nos termos desta Constituição.
Título
V – Da Defesa do Estado e das Instituições
Democráticas
. Cap. II – Das Forças Armadas
Os
Artº. 142 e 143, determinam que, as Forças Armadas
destinam-se à defesa da Pátria, à garantia
dos poderes constitucionais e à manutenção
da lei e da ordem...
VII
– ANÁLISE CRÍTICA
Por
todo o exposto constata-se que:
1)
a guerra não é vocação da Nação
Brasileira,
2) a história política brasileira sinaliza a permanente
dominação da nobreza e da burguesia, quadro não
modificado com o advento da República dos Estados Unidos
do Brasil, que as substituiu pelo poder do latifúndio
e do “coronelismo”,
3) o número excessivo de Constituições
Republicanas, até mesmo a mudança do nome para
República Federativa do Brasil, o número de Partidos
Políticos e suas estruturas, o comportamento dos políticos
e dos demais gestores dos três poderes da Nação
e muitos outros fatos lamentáveis, caracterizam a incipiência
e precariedade de todo o processo de desenvolvimento do País,
principalmente quanto à necessidade de informação,
esclarecimento e politização de toda a sociedade
(exigência do conhecimento, no mínimo, da Constituição
Brasileira, dos direitos e deveres do Cidadão e, com
vistas à defesa da soberania, a Lei 5700/71 – Dos
Símbolos Nacionais),
4) em todas as mudanças estruturais e institucionais,
jamais o povo foi consultado, exceção quanto à
do parlamentarismo, cujo resultado do plebiscito foi mais uma
demonstração da ausência da Educação
Cívica (a Formação do Cidadão),
indicando incompetência, desinteresse ou razões
inconfessáveis, difíceis de entender, por parte
dos responsáveis pelas políticas públicas
neste País,
5) a fase atual de violência que vem se prolongando e
aumentando cada vez mais, indicam a precariedade das condições
das polícias – federal e estadual – em suas
diferentes especialidades. Recursos materiais e humanos insuficientes.
Capacitação e treinamento também insuficientes.
6) a causa maior, inegável, indiscutível de todo
esse caos atual em que vive a Nação Brasileira
é, sem dúvida, a grave inversão de valores
e o abandono dos princípios éticos e morais que
são o fundamento - da Constituição da República
Federativa do Brasil, de todos os Programas Partidários
e da esquecida Formação, a parte mais importante
da Educação, inexplicavelmente excluída
dos currículos escolares, onde se inseria de forma obrigatória
até a década de 60, com seu conteúdo reduzido
à cultura, esporte e lazer.
VIII
– DISPOSIÇÕES FINAIS
Diante
desse quadro, três claras vertentes se delineiam no que
concerne à competência das forças armadas,
obedecendo à destinação Constitucional,
sem necessariamente recorrer ao Estado de Defesa ou ao Estado
de Sítio, porém, reconhecendo, não só
a existência de extrema violência urbana, do narcotráfico,
do contrabando de armas e de artigos comerciais, bem como, a
dificuldade dos Órgãos responsáveis por
todo esse trabalho, por isso, assumindo a responsabilidade de
defender nossa soberania, nossa cidadania, a dignidade da pessoa
humana e a própria vida.
1ª)
intensificar todas as ações de defesa dos espaços
aéreos, terrestres e, quanto à Marinha Brasileira,
o espaço marítimo, o extenso litoral e as hidrovias,
2ª) treinar Grupos Especiais, com urgência, para
assumirem encargos de responsabilidade de polícias, que,
infelizmente, não estão atingindo, minimamente,
objetivos e metas desejáveis.
3ª) desenvolver sistemática e persistentemente,
no treinamento dos jovens que anualmente são convocados,
todo o conteúdo da Educação Cívica
(Formação da Cidadania), com cuidado especial
para o civismo extremado – o amor à Pátria
e aos seus Símbolos.
EDUCAÇÃO
CÍVICA – CIDADANIA – CENTROS CÍVICOS
RÁPIDO
HISTÓRICO:
Até
meados de 1960, já Estado da Guanabara, com origem na
Prefeitura do DF, havia na Secretaria de Estado de Educação
e Cultura, no Departamento de Educação Primária,
uma Seção de Educação Cívica,
responsável por todo o desenvolvimento de um conteúdo
curricular obrigatório da Formação, na
rede pública e particular. Era uma equipe de 15 professoras
e, em cada Distrito Educacional, havia Coordenadoras Distritais
encarregadas da orientação das escolas e Técnicas
de Educação, responsáveis pela fiscalização
da rede particular. Era publicado um boletim mensal com toda
a orientação. Eram desenvolvidas Campanhas, Semanas
e comemorados certos e determinados dias.
Com
o advento da ditadura militar e não mais DF, a mesma
estrutura se conservava.
Na
presidência, o General Castelo Branco verificou a ausência
desse setor no Ministério da Educação e
quis implantá-lo. Encarregou o Prof. Humberto Grande
dessa missão e ele, durante algum tempo, ia diariamente
à Seção, onde trabalhei e, nesse período
eu chefiava, para colher material.
Posteriormente,
depois de sua morte, saiu a 1ª cartilha de Moral e Cívica
– já não era mais Educação
Cívica, seu conteúdo era totalmente diferente.
A parte do Civismo propriamente dito foi eliminado, bem como
e principalmente o do civismo extremado – o patriotismo
– e a obrigatoriedade do culto aos Símbolos Nacionais.
Deixou
de ser obrigatório no currículo, seu conteúdo
aparecendo transversalmente, voltado principalmente para cultura,
esporte e lazer. Os Centros Cívicos transformaram-se
em Grêmios Estudantis.
O
resultado disso, após 4 décadas é o que
testemunhamos no dia-a-dia, infelizmente.
PROCESSO
EMERGENCIAL:
1.
treinar o corpo docente e demais envolvidos,
2.instituir
os Centros Cívicos,
3.basear-se
em um Calendário cívico anual,
4.instituir
o aprendizado dos símbolos nacionais, o canto dos hinos
patrióticos, o conhecimento da Lei 5700/71 (dos Símbolos
Nacionais) e o hasteamento e arriamento da Bandeira Nacional.
5.
tornar conhecidas as Constituições – da
República Federativa do Brasil – 1988, a do Estado
e a Lei Orgânica do Município.
CONTEÚDO:
.
cultivar os princípios da ética e da moral,
.
aquisição de hábitos – pessoais,
na família, na escola, na sociedade,
.
atitudes – aprimorar o comportamento – disciplina,
obediência, cortesia, respeito, pontualidade, assiduidade,
respeito aos compromissos etc.,
.
conhecimento dos fatos históricos, personagens –
análise, avaliação e crítica,
.
conhecimento das características regionais, tradições,
lendas, folclore, culinária etc.,
.
conhecimento de nossos valores culturais – patrimônio
– arquitetura – escritores, músicos, pintores.
Profª.
Adalgisa Castro – janeiro/2004.
Rio
de Janeiro,RJ, 15 de junho de 1999
Ao
Fórum Permanente Educação
Ao
me inteirar de que o Instituto de Pesquisas Avançadas
em Educação vem desenvolvendo o Forum Permanente
de Educação com a finalidade de traçar
as Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação
Infantil, achei por bem tentar contribuir com um tema que há
muito me preocupa - a exclusão da Formação
(Educação Cívica) como conteúdo
explícito e enfatizado nos currículos escorares.
Dirigi a Seção de Educação Cívica
do Departamento de Educação Complementar da Secretaria
Estadual de Educação em 1966/68. Existiam os Centros
Cívicos Escolares e as Escolas, públicas e particulares,
obedeciam a um calendário cívico anual onde todo
o conteúdo era transmitido aos escolares sistematicamente,
tanto em ações cívicas diárias,
tais como o hasteamento da Bandeira e o canto do Hino Nacional;
também o conhecimento dos hinos à Bandeira, da
Independência, da Proc1amação da República.
Tem me parecido que o civismo, amor à Pátria,
tomou-se vergonhoso, porque ninguém fala claramente nisso.
Surpreendentemente, nos Fundamentos para a Elaboração
do Currículo Básico das escolas públicas
do Município do Rio de Janeiro constato a tentativa de
desenvolver os princípios básicos da moral e da
ética pela educação religiosa. Lá
estão: ensino religioso católico, evangélico
e judaico.
Ora, me parece, s.m.j., que ensino religioso cabe às
igrejas ou similares e, no caso em pauta, há uma clara
descriminação a outros credos, como por exemplo,
o espiritismo, budismo etc.
Mais ainda, jamais a educação religiosa terá
condições de absorver o conteúdo da educação
cívica.
A pergunta que faço é: se a Educação
se divide em Formação e Informação,
por que toda a preocupação curricular com a segunda
quando, a meu ver, a formação tem importância
fundamental para a cidadania - a partir dos princípios
da ética e da moral, passando por nossas tradições,
nosso folclore e incutindo os bons hábitos e boas atitudes
na família, na escola, na comunidade e, sem dúvida,
a ênfase no civismo extremado, o patriotismo, no sentido
da preservação de nossa soberania e nacionalidade.
Felizmente ou infelizmente, já nem sei, sou idealista
e patriota, com certeza devido à minha formação.
Amo meu País. Somos uma Nação privilegiada
que, histórica e politicamente, pelos motivos que uma
minoria bem conhece, se por um lado somos uma das primeiras
economias do mundo, com cálculos de um per capita totalmente
enganoso, por outro, convivemos com uma população
maciçamente- miserável, doente, desnutrida, desabrigada,
alienada, inconsciente; não esclarecida e sem expectativa.
O caos urbano e a proliferação dos maus exemplos
pela ausência dos princípios morais e éticos
bem o demonstram.
Que Educação é essa?
Muito mais há para ser colocado, porém creio que
é o suficiente no momento.
Em tempo, apenas para simples constatação de que
sei do que falo: vinha desenvolvendo palestras no Lions Clube
RJ - Paciência do qual sou sócia fundadora e Presidente
da Comissão de Cidadania e Patriotismo e derivou o interesse,
recebendo convites; já fiz palestras em igrejas e escolas,
para alunos da 5ª à 8ª séries e corpo
docente, gratuitamente. Por isso, envio o Projeto Cidadania,
que senti necessidade de elaborar e meu currículum, ratificando,
para simples constatação.
Coloco-me à disposição, caso haja algum
interesse por parte dos participantes desse emérito Fórum.
Atenciosamente
Profª. Adalgisa Castro Pereira
Cidadania...
em gotas - Em 1995
Tenho encontrado, repetidamente, por parte da maioria dos segmentos
da sociedade, uma demonstração clara e veemente
de aversão quando se fala a palavra – política.
A conotação imediata é com – política
partidária e eleitoral – que nada mais são
do que um compartimento do regime político a que estamos
submetidos, com um governo democrático, regidos pela
Constituição Federal.
Todo o comportamento de cada indivíduo e de cada grupo
social tem de obedecer, obrigatoriamente à:
1. no âmbito Federal – Constituição
Federal,
2. “ “ Estadual – Constituição
Estadual,
3. “ “ Municipal – Lei Orgânica Municipal.
E quem elabora essas Cartas que comandam o País, os Estados
e os Municípios?
No regime democrático em que supostamente vivemos, são
os legítimos representantes do povo – os legisladores,
isto é, o Poder Legislativo:
1. Congresso Nacional – Senadores e Deputados Federais,
2. Assembléias Legislativas – Deputados Estaduais,
3. Câmaras Municipais – Vereadores.
E também são eles que votam o orçamento
encaminhado pelo Poder Executivo, isto é, o quê,
quanto e como será gasta a verba (dinheiro) recolhida
através de impostos, taxas etc. dos contribuintes, que
nada mais são do que todos os cidadãos.
É preciso lembrar que, em cada bem adquirido (comprado),
seja simplesmente alimentos, o imposto está incluído
no preço.
É fácil, então, observar a importância
para todos, do processo eleitoral e partidário.
Além disso, é preciso estar bem consciente de
que vivemos em uma sociedade organizada, comandada pelo Estado,
em que os governantes são, obrigatoriamente, pertencentes
a Partidos Políticos e eleitos no processo eleitoral.
Portanto, os responsáveis pelos bons ou maus governos
somos nós os eleitores, ou seja, os cidadãos.
Informatizado em julho/2000
PROFª. ADALGISA CASTRO PEREIRA
9º
CONCURSO DE MONOGRAFIAS
BRASIL ROTÁRIO
PARA PROFESSORES
TEMA:
O
ROTARY E O CRESCIMENTO POPULACIONAL
INTRODUÇÃO
Vivemos no Município/Cidade do Rio de Janeiro, capital
do Estado do Rio de Janeiro, um dos menores Estados do País.
Moramos na Zona Oeste, em Santa Cruz, região reconhecidamente
postergada quanto aos serviços públicos, quer
Estaduais, quer Municipais, quer dos prestadores, fruto da privatização
ou da terceirização. Tudo é muito difícil
e moroso, excetuando-se, naturalmente, os Bairros da Barra da
Tijuca e de Jacarepaguá, tratados de modo diferenciado.
Historicamente, ainda na época de Distrito Federal, na
medida em que a cidade crescia, as populações
de baixa renda já subiam os morros, construindo seus
barracos, buscando moradias próximas ao local de trabalho,
dando início às Favelas.
A partir dos anos sessenta, época do governador Carlos
Lacerda, no Estado da Guanabara, tendo a Profª. Sandra
Cavalcante como Secretária Estadual de Serviços
Sociais, começaram as construções das primeiras
comunidades, dos conjuntos habitacionais tais como: Vila Kennedy,
Vila Aliança, Cidade de Deus, Cesarão –
por muito tempo considerado o maior da América Latina,
com as transferências das populações de
baixa renda oriundas de áreas de inundações,
áreas de risco, “sobras” de Favelas-Bairro,
como também, os mendigos e os “moradores de rua”,
para Bangu, Campo Grande, Santa Cruz, entre outros, com justificativas
diferenciadas pelos seus autores ou nenhuma explicação.
Essa política habitacional permanece e é até
intensificada nos dias atuais, como fica bem comprovado com
a construção, pelo Estado, das 10.000 (dez mil)
casas na Estrada de Sepetiba – Conjunto Nova Sepetiba.
Alie-se a isso as “invasões” e os loteamentos
irregulares.
Além disso, com a construção do Porto de
Sepetiba em Itaguaí, aliado à natural expansão
urbana rumo à Zona Oeste, assistimos à expansão
imobiliária, também, desordenada e, em decorrência,
outro tipo de crescimento da população.
Por esse motivo, atualmente representamos a zona da cidade onde
mais se constata o crescimento populacional descontrolado, pois,
a imprescindível conscientização e o esclarecimento,
dependem da Educação e, as ações
necessárias para a solução dos muitos problemas,
dependem de Vontade Política.
TEMA
Iniciamos o nosso trabalho valendo-nos de dados estatísticos
do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística –
IBGE, referentes aos anos de 1999 e de 2000.
Constatamos que o Brasil detém o 5º lugar do mundo
em extensão de área, com uma população
(3º lugar) muitíssimo menor do que a da China –
pouco mais de 10% (dez por cento) - e mesmo dos Estados Unidos:
ÁREAS
POR ORDEM DECRESCENTE:
1º lugar – Federação Russa -------------------------
17.075.400 km2
2º lugar – Canadá ----------------------------------------
9.970.610 km2
3º lugar – China -------------------------------------------
9.536.499 km2
4º lugar – Estados Unidos ------------------------------
9.372.614 km2
5º lugar – Brasil ------------------------------------------
8.547.403,5 km2
POPULAÇÃO
POR ORDEM DECRESCENTE:
1º lugar – China ----------------------------------------
1.300.000.000 hab.
2º lugar – Estados Unidos ------------------------------278.400.000
hab.
3º lugar – Brasil –----------------------------------------
169.544.443 hab.
4º lugar – Federação Russa ----------------------------146.900.000
hab.
5º lugar – Canadá -------------------------------------------31.100.000
hab.
Finalmente verificamos o número de hab/km2:
1º lugar – China -----------------------------------------------
136,4 hab/km2
2º lugar – Estados Unidos ------------------------------------
28,7 hab/km2
3º lugar – Brasil ------------------------------------------------
19,8 hab/km2
4º lugar – Federação Russa -----------------------------------
8,5 hab/km2
5º lugar – Canadá ------------------------------------------------
3,1 hab/km2
Por
esses dados verifica-se que a Federação Russa
detém uma área expressivamente maior do que os
demais, porém, fica em 4º lugar em população.
A China, com uma área aproximada a do Canadá e
a dos Estados Unidos é, longe, a maior concentração
populacional, a única indicadora de uma superpopulação
e já contando com leis e normas rígidas para o
controle da natalidade. E o Brasil, com uma área menor
do que os quatro que o antecedem, ficando em 5º lugar,
detém uma população bem menor do que a
dos Estados Unidos e muitíssimo menor do que a da China.
Este quadro se confirma quanto ao cálculo de hab/km2.
Esta primeira mostra já nos indica que no Brasil não
há superpopulação.
Agora vejamos a área e a população por
Regiões do Brasil:
REGIÃO
ÁREA POPULAÇÃO
NORTE --------------------- 3.869.637,9 km2 ----------------12.919.949
hab
CENTRO-OESTE --------1.612.077,2 km2 -----------------11.611.491
hab
NORDESTE ---------------1.561.177.8 km2 ----------------47.679.381
hab.
SUDESTE ----------------- 927.286,2 km2 ---------------- 72.262.411
hab
SUL ------------------------- 577.214 km2 -----------------25.070.380
hab.
Por esses dados constata-se que a região Sudeste, com
menos de 1.000.000km2, em 4º lugar, possui uma expressiva
concentração populacional, muito maior que as
demais.
Já aí encontramos o primeiro indício da
desequilibrada distribuição demográfica.
Outro dado importante reporta-nos ao ano de 1999, quanto ao
número de Municípios por Região e ao cálculo
do per capita em dólares:
REGIÃO Nº. DE MUNICÍPIOS PER CAPITA (US$)
NE ------------------------------1792 ------------------------------------
1358,
SE ----------------------------- 1668 ------------------------------------
4086,
S ------------------------------- 1189 ------------------------------------
3251,
Co ------------------------------ 463 ------------------------------------
3110,
N ------------------------------- 449 ------------------------------------
1907.
Por
esses dados, por um lado, verifica-se que a região Sudeste,
a de menor área, possui um maior número expressivo
de Municípios e do cálculo do per capita, mormente
em dólares, já é fácil se constatar
o primeiro dos graves problemas que afligem este imenso e rico
País – a perversa concentração de
renda e, o que é pior, a dívida externa.
Confirmamos esse quadro, agora, com os dados quanto ao número
de hab/km2 nas cinco Regiões:
REGIÃO HAB/KM2
SE
--------------------------------------- 77,92
S ------------------------------------------ 43,43
NE --------------------------------------- 30,54
CO ---------------------------------------- 7,20
N ------------------------------------------ 3,33
Resta-nos agora buscar os dados comparativos entre os Estados
mais populosos do Brasil.
ESTADO (sigla) ÁREA POPULAÇÃO HAB/KM
MG --------- 588.383,6 km2 ------------ 17.835.488 hab. --------------
30,31
BA ---------- 567.295,3 km2 ------------ 13.066.764 hab ---------------
23,03
SP ----------- 248.808,8 km2 ------------ 36.966.527 hab --------------
148,57
RS ----------- 282.062 km2 ------------ 10.178.970 hab ---------------
36,00
RJ ------------ 43.909,7 km2 ------------ 14.367.225 hab -------------
327,19
Fica constatado que o Estado do Rio de Janeiro, com uma área
muitíssimo menor (5º lugar) do que Minas Gerais,
Bahia, São Paulo e Rio Grande do Sul, comparativamente,
detém a maior e expressiva concentração
populacional e, sem dúvida alguma, a maior concentração
se encontra na Cidade do Rio de Janeiro, isto é, nossa
Cidade.
Esses dados nos levam a perguntar o porquê desse desequilíbrio
na distribuição da população. E
a resposta nos remete a razões históricas.
Nossa
colonização pelos portugueses, na época
régia do absolutismo e do mercantilismo, teve a marca
predatória e a da rapinagem, isto é, a exploração
de nossas riquezas para enviá-las à matriz –
Portugal. Diferentemente das colônias, por exemplo, inglesas,
cujo objetivo era o de estender seus domínios, o que
beneficiou os Estados Unidos, aliando-se ainda o fato de contar
com dois litorais, o do Oceano Pacífico e o do Oceano
Atlântico e, mais ainda, recortado, de costa a costa,
principalmente, por ferrovias.
Esse perfil se modificou ligeiramente já no século
XIX, em 1808, com a fuga da família real portuguesa para
o Brasil, acompanhada de toda a nobreza e, como não podia
deixar de ser, muitos serviçais.
Com a finalidade de tornar sua estada a melhor possível,
deram início a diversas construções, principalmente
dos palácios, sendo que Santa Cruz foi privilegiada como
Fazenda Imperial, local de repouso de D. João VI e a
Família Real.
Segue-se, então, a Independência em 1822, tornando
o País um Império. O ano de 1831 traz a abdicação
de D. Pedro I, seguida pelas Regências, D. Pedro II, a
Abolição dos Escravos em 1888 e, finalmente, em
1889, a República. Não podemos esquecer nesse
período, da população indígena,
das invasões holandesa e francesa, como também,
da escravidão.
Toda essa seqüência de fatos históricos nos
mostra que os colonizadores se fixavam no extenso litoral, privilegiando
certos pontos. O interesse em penetrar a possessão tinha
o cunho, ainda uma vez, da busca de riquezas, como ficou claramente
comprovado pelas Entradas e Bandeiras.
Com o advento da República, a mentalidade monárquica,
oligárquica, elitista se conservou, propiciando a existência
do latifúndio e do “coronelismo”, resquícios
da fase, por exemplo, das Capitanias Hereditárias, somadas,
nesse final do século XIX, aos princípios do mercantilismo,
adotado pelos liberais e que persiste até hoje, transformado
no execrável “capitalismo selvagem”.
Nosso
atual Município possui um histórico ímpar,
diferente de todos os demais do País. Foi sede do Governo-Geral,
Município Neutro, Distrito Federal, Estado da Guanabara,
para, finalmente, ser rebaixado a Município. Com isso,
tornou-se o polo de concentração dos muitos interesses
da Nação - como polo político, cultural,
econômico/financeiro, da educação etc. até
enquanto deteve a condição de Distrito Federal.
Depois, com a transferência da capital para Brasília,
a adaptação às novas condições
foi se tornando difícil. Por& |